Passo
Passo por ti
Por ti passo de olhar fixo
Fixo o olhar extasiado
Extasiado procuro o recíproco
O recíproco é o vazio
O vazio do teu olhar a perder-se
Perder-se no horizonte sem fim
No horizonte onde passas
Passas tu e passo eu
Tu passas por ti
Eu passo por mim
Duas portas de abrir e fechar
Duas portas lado a lado
Tu olhas e não sabes...
Não sabes o que há do lado de cá
Eu vou para lá, tu vens para cá
Entre o eu cá e o tu lá
Há as duas portas lado a lado!
Neste vai e vai, entretanto,
Passou por ali um Génio
Daqueles que cumprem desejos
Pedi-lhe uma bola de cristal...
Pressuroso meteu a mão no bolso...
Como quem procura
Foi tirando a mão enorme
Do bolso, a manter-me suspenso:
A única bola de cristal
Que me conseguiu arranjar
Não era de cristal, mas de vidro falcato
Vinha no fundo do copo de porcelana
Em que servem a aguardente de arroz
Nos restaurantes chineses:
Vazio nada se vê
Cheio... não se vê o futuro
Antes o passsado em trajes menores
Já gasto pelos olhares de tantos
Tantos mirones de olhares gastos
Procurando em vão
Não a garota gasta de pouca lingerie
Mas um futuro-outro
Que não passa ali à porta...
Porta de abrir e fechar...
Onde cada qual segue seu caminho
Sem reparar que ali,
Naquele ali e então segue outro igual!
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