Jan 9, 2009

Não haverá lágrima que não seque, nem dor que não ensine

Haverá sempre coisas contra as quais não se pode lutar... poderes instituídos, pobreza de espírito que não se muda, carências materiais que não são recuperáveis nem estão ao nosso alcance compensar. E, como continuava alguém com muito mais sabedoria que a própria idade possa denotar, afinal, enquanto houver vontade e bondade... não haverá lágrima que não seque, nem dor que não ensine. Pois não! E à esperteza, por vezes lapuz, do rato, cujo ano na tradição chinesa ora termina, vai suceder-se, a partir de 26 de Janeiro o ano do búfalo, ou o ano do boi, simbolizando o regresso à terra de pés bem assentes, pondo fim ao ilusório, ao efémero, à arrogância especulativa. Será o retorno ao trabalho concreto, à produção tal como ditam as referências primordiais, a volta à realidade nua e crua contra as mensagens-bolas de sabão de prosperidade e facilidade que hiper-pluri-transversalmente se queria fazer acreditar, um pouco por todo o planeta. Diz quem sabe, que o ano do boi não preconiza pessimismo, ou qualquer tipo de ameaça, representa, antes o retomar de sonhos esquecidos numa qualquer gaveta da nossa memória, dá-nos a força voltar a trabalhar projectos abandonados, quer na nossa vida pessoal, quer a nível da consciência planetária, aplicando os valores humanos de modo mais equilibrado e de forma mais determinada. Por oposição à esperteza lapuz, não se pede nem conformismo nem alienação, antes, em consciência plena se faz um apelo à unidade da humanidade, no sentido da mobilização dos saberes colectivos que permitam incrementar a inventividade, a fantasia, a imaginação e a criatividade, com o objectivo de contribuirmos para a construção de uma sociedade mais livre, mais justa, mais equilibrada... mais humana, afinal!!!!

Jan 3, 2009

Cronos talvez... adiado

Pedindo, licença baixinho, "like me :)", qual pinguim solitário, foste insinuando, num crescendo insistente e incontornável, a tua beleza inigualável. Vieram promessas de amores proibidos, em lugares para lá da realidade plausível. Noites de insónia, de fascínio, de embriaguês de desejos incontidos e inconfessáveis. No jogo erotizado da cabra-cega, acendendo o rastilho de fogo-de-artifício multicolor, levavas-me, sorrindo, pela mão, fazendo-me desviar dos obstáculos que o caminho nos trazia, alimentando a minha sensação de segurança: nada de lugares escusos, nada de inconfidências temerárias, simples e naturalmente,no silêncio febril, serviste-me o teu corpo, em elegante taça de licor dulcíssimo, esperando que até à avidez da última gota, transformasse o prazer sublime em mera efemeridade, afinal. Embriagado pela bebida-desejo, absorto no copo meio vazio, Brandindo no ar teu chicote Cossaco te foste, insinuando que Cronos, algum dia mais favorável seria. Mal consegui ver o teu olhar de soslaio , enquanto a sina me fingias ler, contendo um sorriso trocista... Abandonado, assim, a Tanatos fiquei... Esperando o dia em que Eros se insinuasse, insuflando no vítrio recipiente alguma alquimia própria de dias de configuração astral mais favorável a tão irreverentes amores... Ironia divina, lição irreplegível: quando a esmola se alarga, o pobre insiste em confiar... pois, por tanto assim sempre confiar, de pobre nao mais passará... e de tudo o mesmo podemos dizer, no que em tudo à vida diz respeito... labios, seios, sexos, beijos, êxtases, silêncios, sussurros... efemeridade, imponderabilidade... existência, inexistência, verdade, mentira... e tudo e todos à distância de um simples click, quase nunca acreditando que a mão que nos toca, pode não pertencer ao mesmo corpo dos lábios que nos incendeiam. E quem diz a distância de um click do mesmo se diz da distância de cinco mil quilómetros, medidos do oeste ao este... ou, vice-versa!!!! Ironia divina? Não!, pois Deus, sempre o soubemos, escreve direito por linhas tortas! Ironia humana! pois a mão humana, se assim o deseja, sempre escreverá torto por direitas linhas... Jogo de toca e foge, sorriso de alquimista, cartomantes de papelão, budas de lata e cordel...