Feb 6, 2010

procura de sentido

O objecto artístico é um objecto de comunicação – enquanto objecto de comu­nicação poético-artística reflecte e é reflexo do mundo interior de quem o produz, mas também, do mundo exterior que o circunscreve e, onde se incluem, obviamente, os leitores/receptores que o sabem saborear. O objecto artístico é uma janela aberta à excitação dos sentidos, no prazer da plena fruição ao encontro de silhuetas, de cores, de tons e de matizes em registos-motores ronronando sílabas doces em cada marca libertada no acto criativo. Uma vez que todo o processo de comunicação se fundamenta num sistema de significação, é necessário identificar a estrutura elementar da comunicação. Mesmo que a relação de significação represente uma convenção cultural, podem, no entanto, haver processos de comunicação, aparentemente desprovidos de qualquer convenção significante, nos quais ocorrem, apenas, passagens ou estímulos de sinais. Quando um índice se torna um ponto de partida de um processo de significação, ele deixa de ser, apenas, o resultado final de um processo comunicativo. Associado ao código, ocorrem pelo menos quatro fenómenos diferentes: i) uma série de sinais, regulados por leis combinatórias, que constituem um sistema sintáctico; ii) uma série de conteú­dos de uma possível comunicação, que constituem um sistema semântico; iii) uma série de possíveis respostas comportamentais por parte do destinatário, independen­tes do sistema semântico; iv) uma regra que associa alguns elementos do sistema sintáctico a alguns elementos do sistema semântico ou às respostas comportamentais. Essa regra estabelece que uma dada série de sinais sintácticos se refere a uma dada segmentação do sistema semântico; ou que tanto a unidade do sistema semântico quanto à do sistema sintáctico, uma vez associadas, correspondem a uma dada res­posta; ou que uma dada série de sinais corresponde a uma dada resposta mesmo não se supondo que seja assinalada alguma unidade do sistema semântico. Face aos novos avanços científicos a escola parece, ainda, na prática, entor­pecida na sua actuação junto dos jovens alunos que a frequentam, parecendo não encontrar resposta positiva e efectiva para o dictat legislativo inovador é certo, mas sem reformulação consentânea das estruturas edificadas, dos espaços lectivos e envolventes, mas também, dos próprios cur­ricula respondendo ao pós-modernismo psicossociocultural emergente, em que a par das competências cognitivas baseadas na inteligência formal, lógico-matemática e linguística, de conformação social, importa apetrechar os futuros cidadãos com ferra­mentas apropriadas ao bom desempenho pessoal e social, favorecendo a auto-moti­vação para o desenvolvimento contínuo, para a auto-estima, para a criatividade, para a autonomia, para a necessidade de um des­pertar sensorial que faça apelo às pulsões e às necessidades profundas do ser e que favoreça um conhecimento e reconheci­mento de si mesmo, para a auto-satisfa­ção, enfim para o sucesso pessoal e social conducente a uma socie­dade mais justa, mais equilibrada, mais digna. Parece, pois, premente, aproveitar o legado das disciplinas da área das expressões, para permitir incutir nos nossos alunos a auto-motivação, a auto-estima, trazidas pela criatividade e que conduzam a situações de aprendizagem que levem ao sucesso educativo real, aproveitando as ferramentas tecnológicas que ora se nos ofe­recem no âmbito das novas tecnologias. Se é verdade, pelo menos, à luz da nossa própria idiossincrasia, que não devemos ignorar o papel das técnicas tradicionais no cumprimento do devir artístico e como fautor importante de construção de conheci­mento e sedimentação consequente de experiências de vida congruentes com um ainda desejável virtuosismo promotor de aceitação e reconhecimento social, também não pode ser menos verdade que como humanos e como humanos inexoravelmente gregários devemos aproveitar os avanços tecnológicos para optimizar os nossos meios de comunicação poético-artística. Considerando que somos indivíduos em desenvolvimento permanente, baseados, é certo, nomeadamente, na carga genética de que, também, somos feitos e nos diferencia dos demais, e do percurso que esco­lhemos em cada momento, fruto mais da representação que fazemos do mundo que nos cerca do que da própria realidade – “os meus olhos são uns olhos e é com esses olhos uns que eu vejo no mundo escolhos, onde outros com outros olhos não vêem escolhos nenhuns...” como tão bem diz António Gedeão. Importa, por isso, por um lado, considerar a Arte, delimitando as suas várias vertentes, como aquisição técnica a par da aquisição intelectual, enquanto forma de conhecimento, enquanto manifestação de actividade humana, logo enquanto forma de expressão, logo, enquanto forma de representação peculiar do mundo que nos cerca, do mundo que, eventualmente, nos “impressiona”; o porquê, o como e o para quê das manifestações artísticas em tempos, culturas e lugares definidos. Se a arte enquanto forma de conhecimento, é afectividade, isto é, depende do significado que lhe atribuímos, importa gerar em quem produz objectos de carácter artístico, quer nos próprios artistas, quer nos alunos que frequentam disciplinas de âmbito artístico nos diversos níveis de ensino, a ideia da construção dos significados, mas também, da simbologia, que lhes permitam desenvolver instrumentos de avalia­ção consciente da realidade que os envolve na sociedade em que se situam. As razões substantivas que levam a pessoa a produzir um objecto de arte, à semelhança do que se passa com todas as acções levadas a cabo pelo homem, resultam, tal como refere Miranda dos Santos, de quatro níveis de actividade relacionados com a afectivi­dade, assim, após a recepção da informação, actividade eminentemente cognitiva, o indivíduo faz a respectiva apreciação, isto é, a atribuição de significação, selecciona, decide e, finalmente, age em consciência plena, justamente, fundamentado na atribui­ção de uma determinada significação. A Informação possui dois sentidos fundamen­tais: a quantidade de informação que pode ser transmitida e a quantidade precisa de informação seleccionada que de facto foi transmitida. Nesse sentido, ela pode ser conotada como a passagem, através de um canal, tanto de sinais que não possuem função comunicativa, constituem apenas estímulos, como de sinais com função comu­nicativa, isto é, que foram codificados como veículos de algumas unidades de con­teúdo, sendo assim, objecto de estudo da engenharia da transmissão da informação relativos a processos pelos quais são transmitidos unidades de informação, não signi­ficantes (puros sinais ou estímulos) e significantes (com finalidades comunicativa). Nesta ordem de ideias, facilmente se perceberá que alguém que se dedique à produção de objectos artísticos, mas também, alguém que se dedique a fomentar a produção de objectos de expressão, que se dedique a activar o desenvolvimento cog­nitivo, a activar o desenvolvimento psicológico, a activar o desenvolvimento integral dos nossos jovens concidadãos, através das mais diversas formas de expressividade, não poderá deixar de ter em linha de conta que, com muito maior peso que a activi­dade cognitiva baseada no registo da informação, importa, urge, buscar a resposta no mundo da afectividade. Afectividade em sentido amplo, naturalmente, não, apenas, na empatia desejável entre quem coabita um espaço comum, entre quem urde convivên­cias, cumplicidades... afectividade, mais no sentido de deixar que os olhos vejam, aprendam, que o coração se sobressalte, se excite, pelo prazer, pela beleza que nos envolve, enfim, pela sensação, o tal “facto psicofisiológico provocado pela excitação dos sentidos”... e depois, porque viu, porque sentiu, então que faça, deixando-se docemente guiar pelo cavalo alado que dá pelo nome de Fantasia, montado na sela da Criatividade e segurando as rédeas da Inventividade, voando ligeiro pelos campos da Imaginação.

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