Como qualquer objecto, um livro, um tratado, ou uma dissertação, estão eivados, inexoravelmente, das quatro causas aristotélicas: causa motora, causa material, causa formal e causa teleológica, ou causa final.
Considerando que podemos ver facilitada a experiência de fluxo através do desenho, encontraremos a desejada teleologia, independentemente da persistência ou da efemeridade do registo/ acto/facto, inadvertidamente serendípico, ou intencional e esforçadamente conseguido. Se o ponto mais próximo desta "Cidade de Deus" é a experiência óptima proporcionada pelo desenho, então, o início do caminho, correspondente à causa primeira, ou causa motora, começa pela compreensão do Desenho como forma de linguagem, isto é, como estrutura simbólico-gramatical portadora da dualidade compreensão/explicação do mundo que nos rodeia através dos mecanismos inerentes à percepção. Ou seja, conhecimento, que, tal como todas as outras linguagens, mas também, em relação com as outras formas de linguagem, nos ajuda a estruturar o pensamento, logo, nos auxilia à integração mais confortável no mundo sensorial em que vivemos.
Neste percurso, a forma é conferida pela educação, que na actualidade ganha substância no processo dinâmico de ensino e de aprendizagem, cuja mobilização formatadora, não deixa, ainda, de construir a reprodução da divisão social. Atente-se, grosso modo, no forte vínculo socio-profissional protagonizado pelos bons obreiros da "recta ratio factibilium", desde o alvorecer das Academias, certificadoras da divergência entre manualidade e intelectualidade, passando pela formação de operários especializados nos liceus da era industrial, até à educação contemporânea do olhar.
À materialidade liga-se, aqui, a compreensão da evolução dos diversos modus faciendi, quer a nível académico, quer a nível estritamente artístico. A ligação estreita entre o método e as técnicas é incontornável, tal como é incontornável a relação condicionadora do discurso face à técnica utilizada e os materiais e suportes em presença no processo de produção gráfica e o resultado desejado.
Assim, e dependendo muito do caminho escolhido, a experiência de fluxo será alcançada e persistirá, como num imparável processo diarreico, com vista ao encontro, tão frequente quanto possível, do tal lugar que dá pelo nome de felicidade...
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