Como de quase tudo da vida, há, pelo menos, três mil anos, também já se sabia que a felicidade é a grande meta da vida de cada um- Aristóteles na sua Ética a Nicómaco, telos de convergência do projecto de vida pessoal. A nata da nata do saber contemporâneo, em Harvard sediada, pela boca nomeadamente, de Mihaly Csikszentmihalyi com a sua experiência óptima ou experiência de fluxo ("flow"), ou de Daniel Gilbert e o seu "stumbling on hapiness", revertido para português do Brasil, entre outros títulos como, "tropeçar na felicidade", levam-nos a admitir, por um lado a genialidade dos ancestrais amigos do conhecimento, por outro a distância intelectual tão estreita que separa qualquer coisa como cinquenta gerações de humanos, apesar do suposto avanço tecnológico vertiginoso e, por último, a pertinência que determinadas questões continuam a representar para uma existência terrena desejavelmente mais confortável. Não temos, de facto, de remontar à alegoria do Génesis, para aceitar que o fruto do conhecimento que nos expulsa da segurança morna das entranhas do ventre materno, é o mesmo que nos pode fazer visitar, tão assíduamente quanto possível, essse lugar que dá pelo nome de felicidade. Então, como agora, não é o poder económico, político, militar, social, ou outro, que serve de veículo para tais visitas. O veículo, estará, se quisermos concordar com Maturana e a sua "árvore do conhecimento" , nas sinapses neuronais que, afinal de contas, condicionam a nossa percepção do mundo que nos rodeia e, por arrastamento, condicionam, personalizam e subjectivizam a compreensão e o conhecimento desse mesmo mundo. Mas, apesar da condicionante subjectiva, não nos repugna acreditar que haverá constantes exógenas globais, que catapultam a mente para um ligeiro estado de alteração de consciência propiciador de, em fruição, nos deixar andar despreocupadamente de bicicleta, fazer uma partida de ténis, tricotar um belo cachecol, produzir uma apetitosa iguaria, tocar uma agradável sonata, manter um diálogo harmonioso... ou fazer um desenho que nos faça sentir orgulhosos de nós mesmos, levando-nos a uma efémera visita ao tal lugar que dá pelo nome de felicidade, no climax da experiência óptima conduzida pela " recta ratio factibilium"... permitindo que a boa obra eleve, também, o obreiro, fazendo-o bom e merecedor de alcançar as portas da Cidade de Deus...
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